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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Sou Biólogo e entusiasta na Arte do Bonsai desde 1991. Montei esse blog para compartilhar alguns dos trabalhos que venho desenvolvendo, bem como compartilhar também algumas idéias e assuntos relacionados à arte. Gostaria muito da sua participação. Seja bem vindo!

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Técnicas para modelagem de um Flamboyant - Parte I: Tração do galho

Nome comum: Flamboyant
Nome científico: Delonix regia
Família: Fabaceae Caesalpinioideae, Caesalpineae
Origem: Madagascar
Etimologia: Delonix, do grego delos, evidente, notável e ônus, uma, referindo-se as pétalas notavelmente unguiculados. Regia do latim regium-a-um, real, pela sua grandiosidade quando está em flor.
Floração: setembro/dezembro.
Árvore de flores exuberantes com tonalidade avermelhada, de copa frondosa e espalhada que proporciona boa sombra. Suas raízes tabulares (formato de tábua) crescem junto à base do tronco, conferindo um aspecto notável à espécie. É muito utilizada em amplas áreas, como praças e jardins.
Descrição: Árvore caducifólia de 6-15 m de altura, com a copa em forma de sombreiro e o tronco mostrando-se sinuoso ou reto e pouco áspero. Folhas bipinadas de 20 - 40 cm de comprimento, com 10-15 pares de pinas, cada uma tem de 12-20 pares de folíolos oblongos, de ápice e base arredondada, de cor verde claro a verde escuro. Flores vermelhas / alaranjadas aparecem quando a árvore carece de folhas e estas se dispõem lateralmente nos ramos. Cada flor mede 10-12 cm de diâmetro e tem um cálice com cinco sépalas hirsutas, a corola com cinco pétalas desiguais e um androceu com 10 estames largos, delgados, de cor vermelha. Os frutos são muito coriáceos, de 40-50 cm de comprimento, plano e retorcidos de cor castanha quando maduro. Estes permanecem presos a árvore durante todo o ano.
INTRODUÇÃO
O texto abaixo onde se descreve técnicas, foi com intuito de elucidar algumas observações com relação à modelagem da espécie Delonix regia, pois sempre ouvia dizer que um flamboyant não era uma das espécies mais indicadas para se trabalhar e era por isso que não víamos exemplares como bonsai. Muitos diziam que era pelo motivo de ter folhas e flores grandes, galhos que secavam do nada e um lenho muito duro, difícil de modelar com o arame. Via-me por conta disso intrigado, porque para mim seria uma das espécies que gostaria de ter como bonsai desde o início. Também não existiam imagens nem tão pouco técnicas relacionadas, que iriam me orientar a fazer de um flamboyant bonsai.
Foi a partir de muita observação e paciência que se chegou até aqui no momento. Ao se aplicar técnicas como a tração em conjunto com as incisões na base para a espécie consegue-se resultados bem interessantes, fazendo com que os exemplares se mostrem mais fidedignos.
A abordagem relacionada à técnica de tração irá mostrar como de fato não podemos desistir logo aos primeiros obstáculos e sim seguirmos em frente. Sendo perseverante, bom observador e principalmente colocando a mão na massa é que conseguimos aprender algo de novo. Todavia sabemos que qualquer tipo de concepção artística está sempre em evolução, trazendo com isso outros acontecimentos. Principalmente se levarmos em consideração de estarmos modelando um ser vivo e a forma individual de interpretação, todas essas intrínsecas teias de conceitos contida na arte do bonsai a torna ainda mais diversa. Sendo assim, qualquer tipo de crítica e sugestão, que por ventura venha a contribuir para evolução deste trabalho inicial de modelagem com a espécie será bem vinda.

TÉCNICA DA TRAÇÃO DO GALHO
A técnica da tração empregada no Flamboyant foi quase uma conseqüência, devido às suas características. Diversos exemplares que vemos plantados em praças e avenidas pelo Brasil apresentam em sua forma original galhos pendidos, dando a copa da árvore uma forma de sombreiro. Outra característica seria um lenho quebradiço de baixa durabilidade às intempéries naturais e também a morte espontânea de alguns galhos. Estes secam naturalmente e caem cedendo o lugar a um novo que irá a busca de um lugar ao sol. Isso acontece tanto em exemplares plantados no chão quanto nos bonsai, pois é da natureza da espécie.
Foi a partir dessas observações dos exemplares em tamanho natural, que a técnica da tração foi concebida, pois ao se tentar reproduzir inicialmente o aspecto original, os galhos eram aramados por completo. Procedimento este que deixava por sua vez marcas profundas nos mesmos e obstruíam o aparecimento das novas gemas (brotações), quando eram posicionamos para baixo. Porém deixando a margem do galho apontado para baixo, como se fosse uma bengala, fez com que novos brotos surgissem mais para o interior e no dorso/lateral deste galho. Conforme os brotos fossem se consolidando, a margem do galho secava logo em seguida.
                                                foto Nêmora Hoff
Esse fato é devido ao hormônio de crescimento da planta, que se localiza nas áreas onde há incidência da luz solar, ou seja, o modo que a auxina atua nesta espécie. A auxina nada mais é do que o hormônio vegetal básico encontrado em diversas espécies de plantas e este, assim como outros hormônios, são responsáveis pelo crescimento dos vegetais. As margens da planta mais exposta ao sol ficam repletas desse hormônio e assim as novas brotações vão surgindo e a planta cresce.
A partir dessas novas observações concluísse que a retirada do arame de boa parte do galho, fazendo somente uma tração, é que se obtém um melhor modo para modelagem da parte aérea de um flamboyant. Também é a partir das trações sucessivas, que se da seqüência ao processo de multiplicação, tornando os galhos bem dicotômicos (=dicotomia), consequentemente a copa da árvore fica com um arranjo de galhos mais denso. Pode-se enrolar o arame na extremidade deste galho para dar mais pega, prendendo a outra extremidade na borda do vaso, por exemplo. Isso irá ajudar o surgimento de novos brotos, futuros galhos, mais para o interior e no dorso desse galho. Depois que estes se consolidarem é podado as extremidades dos galhos primordiais até onde esteja seco, ou mesmo pode-se podar próximo a esses novos galhos. Esta técnica, descoberta recentemente, se torna a mais apropriada para a espécie. Aplicando-a sucessivamente a compactação da copa, irá aparecer e os cortes, que foram realizados anteriormente fecharão com mais facilidade.
Durante o processo de modelagem, quanto mais estimulamos uma nova brotação para que surjam mais galhos ficamos sem a floração. Porém este procedimento se torna a melhor maneira para se conseguir, em curto espaço de tempo, um exemplar em escala compatível com bonsai, sem cicatrizes e também fazendo uma comparação com uma poda drástica, a técnica da tração se mostra menos agressiva à planta, além de não deixar cicatrizes. Esta só é empregada depois que os galhos estão consolidados. Provavelmente alguns desses galhos novos irão sucumbir também, pois é assim a natureza dessa espécie. Esse tipo de modelagem é realizada no inverno, pois os galhos estão mais maleáveis e a folhagem menos densa. Outra opção seria quando eles estivessem com a coloração mais amarronzada, mas nunca enrolando o arame nesses galhos por completo, para não prejudicar as novas brotações e, principalmente, para não criar feridas e em alguns casos cicatrizes muito feias, difíceis de serem corrigidas.
Outra técnica conhecida no bonsai seria de se retirar a gema apical, para estimular as novas brotações. Porém como foi descrito anteriormente, posicionando os galhos para baixo, para dar a forma de um sombreiro, a espécie como resposta “aborta” a seção marginal deste galho, sendo então desnecessária tal prática. Já a tração estimula o crescimento de novos brotos no dorso/lateral do galho tracionado e em maior quantidade.
Outro fato interessante observado é quanto à técnica da desfolha, que tem como o principal objetivo a redução da folhagem e criar um arranjo dicotômico ainda mais refinado. Ao se retirar a folha por completo, junto com a haste, o que chamamos de “pinçagem”, observa-se que os galhos pinçados secam. Acontecendo isso, é notório que não existirá emissão de novas gemas, fazendo com que o principal objetivo não seja alcançado. Para contornar este problema, o ato de podar simplesmente as folhas no outono deixando as hastes e controlando as regas trazem melhores resultados.